A GRANDE SÍNTESE*

Rubens C. Romanelli

Debalde vínhamos peregrinando através dos livros em busca de uma concepção do mundo que nos satisfizesse, pela universalidade de seus fundamentos, a natural ansiedade de síntese e unificação do conhecimento. Movido por esse desejo, perlustramos os grandes monumentos da sabedoria de todos os tempos, desde as velhas doutrinas consubstanciadas na metafísica chinesa do I-Ching, até às modernas aquisições do relativismo einsteniano. Examinamos o hinduismo, nas expressões luminosas de seus mais eminentes mestres; estudamos o idealismo de Platão, o criticismo de Kant, o panteísmo de Spinoza, o monadismo de Leibniz, o ocasionalismo de Malebrance, o epifenomenismo de Hume, o voluntarismo de Schopenhauer, o solipsismo de Berkeley, o transformismo de Darwin, o evolucionismo de Spencer, o positivismo de Comte, o pragmatismo de James, o monismo de Haeckel, o intucionismo de Bergson, o pampsiquismo de Farias Brito, para, ao fim, sentirmo-nos tão vazio como dantes. Perdida nos meandros da análise e desnorteada em meio ao separatismo das especializações, a razão reclamava desesperadamente uma síntese. Convínhamos com Carrel em que a síntese não poderia ser obra de um grupo de homens; mas deveria "elaborar-se num cérebro único" (O Homem, esse Desconhecido - Cap. II). Mas, objetávamos: como admitir a possibilidade de um cérebro único, elaborá-la, se as concepções individuais são sempre visões fragmentárias unilaterais e, portanto, parciais da realidade? Ora, uma síntese implica uma visão global, universal e, portanto, completa.

Acabávamos de ler Carrel, quando surgiu nas livrarias a versão brasileira de A Grande Síntese, de Pietro Ubaldi. Atraído pelo título, percorremos-lhe o índice e, imediatamente, sentimo-nos assaltado do desejo de lê-la.

Dizer da impressão que nos causou esse monumento de sobre-humana sabedoria é tarefa que transcende nossas possibilidades de expressão. Contentamo-nos com afirmar que, em nossa vida jamais experimentamos tamanho júbilo, tão empolgado ficamos com o substancioso conteúdo da obra. Sua leitura comoveu-nos até as lágrimas. Jamais imagináramos poder contemplar, numa síntese de suprema beleza, o esquema de todo o universo, desde as mais sensórias expressões da matéria até as mais abstratas manifestações do gênio. Encontramos, enfim, o que exaustivamente procurávamos.

Com efeito, A Grande Síntese é o mais amplo e o mais profundo repositório de sabedoria que ao mundo já foi dado conhecer. Amplo, não só porque abrange todo o cognoscível humano, senão também porque traça diretrizes ao pensamento, na pesquisa da verdade, em todos os campos. Profundo, não só porque explica a etiologia e a teleologia dos fenômenos, senão também porque apresenta as leis que lhes regem o eterno transformismo.

Obra de extraordinária concisão, A Grande Síntese nos apresenta, em cada uma de suas sentenças, um ensinamento profundo. Nela as palavras estão em função de um magnífico ideal: a expressão da verdade.

Sem embargo de seu caráter estritamente lógico e rigorosamente científico, A Grande Síntese não é uma obra resultante de lucubrações intelectuais, nem de dados experimentais. É uma revelação surpreendente, de origem supranormal, por isso que foi dada ao mundo exclusivamente pelas vias da intuição. Serviu-lhe de instrumento, no processo de sua elaboração, o iluminado místico da Úmbria, Prof. Pietro Ubaldi.

Ubaldi não se ocupa de escrever o que sua imaginação concebe, mas, de descrever o que seus olhos vêem. Tem ele a sensação dessa realidade profunda que se oculta sob o véu dos mistérios, porque com ela se sintoniza, nela vive e palpita, graças à transfusão de sua alma com a alma das coisas. Tal é, com efeito, o que ele mesmo nos afirma no prefácio de Problemas do Futuro - Introdução: "Quem aqui escreve nada inventa de seu; mas lê no grande livro da vida universal, é o espectador da infinita sabedoria de Deus, que ele contempla em visões e exprime em livros. Quando nestes não é o indivíduo que fala, mas a vida, o pensamento não envelhece".

A missão de Pietro Ubaldi não é apenas a do gênio, senão também a do santo. Se para os grandes de inteligência ele tem escrito as mais altas verdades, para os humildes de coração ele as tem vivido. Vive-as no amor e no sacrifício, no perdão e na renúncia, cônscio de que "em um só ponto pode o céu tocar a terra e esse ponto chama-se martírio".(História de Um Homem - Cap. XXVI)

*A GRANDE SÍNTESE - Prof. Rubens C. Romanelli. Folheto publicado pelo "Centro de Pensamento Pietro Ubaldi" de Brasília - DF.